sábado, 30 de novembro de 2024

O.129.O verbo amar - JG de Araujo Jorge


Te amei: era de longe que te olhava
e de longe me olhavas vagamente...
Ah, quanta coisa nesse tempo a gente sente,
que a alma da gente faz escrava.

Te amava: como inquieto adolescente,
tremendo ao te enlaçar, e te enlaçava
adivinhando esse mistério ardente
do mundo, em cada beijo que te dava.

Te amo: e ao te amar assim vou conjugando
os tempos todos desse amor, enquanto
segue a vida, vivendo, e eu, vou te amando...

Te amar: é mais que em verbo é a minha lei,
e é por ti que o repito no meu canto:
te amei, te amava, te amo e te amarei!

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

O.128.O amor antigo - Carlos Drummond de Andrade


O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o amor antigo, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

O.127.O tempo passa ? Não passa - Carlos Drummond de Andrade


O tempo passa? Não passa
no abismo do coração.
Lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.

O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.

Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.

O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.

São mitos de calendário
tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário
é um nascer a toda hora.

E nosso amor, que brotou
do tempo, não tem idade,
pois só quem ama escutou
o apelo da eternidade.

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

O.126.Olhos - Angélica T. Almstadter


Há olhos cravadosnas paredesna rua,no chão. 
Não há olhos de ler,de chorara cura, a alma pura. 
Olhos rodeiama imensidão sem nada ver. 
Nas órbitas tristesde um branco sem fim moram os olhosde uma vida. 
A vida inteirase percorrepelos olhos;e o olhos vida aforapercorrem a vida. 
Morre-se sem dos olhosentender a razão. 
Sem deles ter impresso a paixãoa tristeza dos dias,o sorrisoou a dor.

terça-feira, 26 de novembro de 2024

O.125.O anjo de pedra - Cissa de Oliveira


“Sabe lá o que é passar mais de oitenta anos sendo lembrado de forma humilhante sobre alguma coisa que você nem ao menos precisa esquecer? Por aí você vê que ter nascido preto foi o meu primeiro karma. Não, azar, que karma é palavra que preto do meu naipe não conhece; ou porque não conhece mesmo ou porque pensam que a gente é burro, por fora de tudo, sem percepção. Se a gente deixa, vai ficando o dito pelo não dito, o pensado pelo não pensando e por aí à fora. O segundo karma foi ter nascido pobre. O terceiro: continuar pobre, mesmo aposentado, e pior, dependente de filho”

Naquele dia Otoniel tinha acordado com a revolta da vida toda. Pior, revolta calada, daquela que mói por dentro sem fazer barulho, até deixar o sujeito uma casquinha assim, de nada. Casquinha fiiiina, curvada de tudo; qualquer coisa quebra, de atropelamento a ingratidão de filho.

- Já ta pronto?
Otoniel, calado estava, calado ficou. Ara!
- Coloca o cinto, pai... Não ta vendo que a calça ta caindo?

Otoniel abotoou o cinto num dos quatro furos que ele mesmo foi acrescentando desde que foi morar na casa do flho. Um a cada ano, mais ou menos. A ponta do cinto pendia. Era um tanto de tira de couro, fina, meio molenga, tão molenga que não se segurava nos passantes do cós da calça preta. Ele se arrumava bem devagar, o que irritava o filho.

Logo na porta, ao sairem, o vento encheu a camisa clara de seu Otoniel, um dos seis moradores do barraco número 528 do Parque Esplendor. Nem o nome bonito consertava a realidade do lugar. Seu Otoniel seguia meio curvado. Os pés descalços das crianças, pra lá e pra cá, atrapalhando a passagem pelas vielas estreitas. Vez em quando ouvia uma saudação, intuia um olhar, alguma profunda consternação. Não era pela pobreza não, que isso era coisa que ali não faltava. É que os vizinhos sabiam...
Venceram o aglomerado de minúsculas casas. Do outro lado, o muro pintado de vermelho, o portão grande e os carros de bombeiros.
- A civilização ...
- Nós também somos civilização!
- É mesmo? Resmungou Otoniel, colocando o chapéu de palha sobre a cabeça coberta de fios brancos.

Caminharam por cerca de quinze minutos. Seu Otoniel com dificuldade, Alcides, o filho, com impaciência. Atravessaram a passarela e logo seguiam pelo asfalto da rua paralela à rodovia. Os portões altos das casas mostravam bem a preocupação da vizinhança para com o Parque Esplendor. Ah, que aquilo incomodava seu Otoniel tanto quanto o sol daquele dia, por mais que o vento arejasse por dentro da camisa dele, com um movimento que mais parecia brincadeira. Brincadeira de criança.

Suzete e ele tiveram cinco filhos. Delmira, Juca, Ataíde, Alcides e Melissa, nessa mesmíssima ordem. Teriam mais, não fosse o destino ter arrancado dele, e de forma trágica, a companheira. Chegados na cidade grande, ela se empregou mesmo antes que ele. Suzete, criada na lida do interior de Pernambuco, era mulher pra toda obra, e não ia recusar serviço. Depois, tinha uma carinha boa, gestos calmos, olhos brilhantes, cílios longos, curvados nas pontas. Parecia afagar, a cada piscar de olhos, os viézes do cotidiano. E quando se emocionava? Anjo disfarçando, enxugando as lágrimas com a pontinha dos dedos.

- A minha Suzete inspira confiança... dizia seu Otoniel, para o constrangimento dos patrões dela. No trabalho, Suzete corria pra todo lado. Fogão, tanque, arrumação, crianças que iam e voltavam da escola, uniforme, mesa posta. Do lado dos patrões, diziam que no dia do acontecido Suzete se descuidou com a penela de pressão. Queimaduras terriveis, trinta e nove dias de internação, respiração artificial, sofrimento nela e nos demais. Infecção hospitalar. Por fim, a notícia que ninguém queria: morte.

Seu Otoniel fez o que pode. Terminou de criar os filhos sozinho. Os dois mais velhos se revezavam entre a escola e o cuidado com a casa e com os irmãos. Com exceção de Melissa, que terminou o ginásio, todos largaram a escola precocemente. Juca e Ataíde pra trabalhar. Delmira porque engravidou e foi morar com um rapaz, até o dia em que ele sumiu no mundo e ela voltou pra casa com dois filhos. Depois se juntou com outro e foi morar em Salvador. Alcides não estudou porque nunca foi muito chegado a estudar. Dava trabalho que só! No fim, nem bandido, nem honesto. Alcides fazia o tipo malandro esperto. Vivia de bico. A vida traçou os seus meandros. O tempo voou, até que seu Otoniel, há muito aposentado, se viu na condição de ter que morar com um dos filhos. Que fique esclarecido: da aposentadoria nem o cartão do banco ele via! Coisa do Alcides.

Mais uma subida e alcançariam o semáforo da principal avenida local. “Suzete, Suzete, as crianças ainda pequenas... Trabalho de sol a sol. Cansaço do bom. As tardes de domingos, simple s,preguiçosas, festeiras. Salgueiro, no interior de Pernambuco, que nem luz elétrica conhecia, parecia vibrar. Tudo acontecia ao mesmo tempo. Música, dança, grito de criança, risada e conversa alta, misturados igual a leite com fruta, nesses aparelhos da cidade, os liquidificadores.”

- Vê se fica aí! Nada de ir pra outros semáforos. Às seis horas eu volto, ta? Otoniel fez que sorriu, mostrando que entendeu. Logo estendeu o chapéu. Os carros parando no semáforo... algumas moedas. “A casa era pintada de amarelo. No inverno lembrava um sol fincado no chão, no meio da chuva, bem ao alcance das mãos. O verde da plantação crescia do mesmo tanto que a alegria. Mas isso era quando Deus queria. De um lado, Ele, do outro a força da seca. Era preciso pensar nos filhos, no futuro deles, na educação... Onde foi que eu errei...?”

- Vai trabalhar!
- Olha, hoje não tem moedas, vovô! Fica para a próxima.
- Tudo bem aí? Alguns motoristas, muitos dos quais já familiarizados com seu Otoniel, cumprimentavam. Talvez entendessem aquela dor que encolhidinha por dentro devia vazar. Colocavam algum dinheiro no chapéu estendido de seu Otoniel, ao que ele agradecia sempre. Não naquele dia, consumido que estava.

Foi duro pra abandonar as terras, os parentes, os amigos, enfiar a cara no mundo desconhecido da cidade grande. Tudo pela família. Agora, andando com dificuldade, entre um e outro carro, ia feito liquidificador, misturando o presente e o passado. Quando chegasse em casa, o valor arrecadado que ele nem contava, ia direto para o filho. Os outros filhos também estavam casados, cuidando cada um da própria vida. Um ou outro aparecia de vez em quando no barraco. Queriam saber das coisas, até traziam mimos vez por outra, mas disfarçavam mal o alívio por não terem de cuidar dele. Como se não bastasse, nessas ocasiões ele estava proibido pelo Alcides de tocar no assunto “semáforo”.

“É... ainda outro dia o Alcides não voltou... e querem saber, foi bom! Eu fiquei aqui até escurecer. Deu nove horas e nada. Foi quando eu decidi voltar sozinho. Antes, de vingança, eu comprei com o dinheiro das esmolas uma caixa inteira das paçocas que o maltrapilho do outro semáforo vende. Ele disse que é sozinho na vida. Daí que na sorte a gente é muito do igual!”- E aí vovô, cuidado.

- O que deu nele...?

O seu Otoniel, por demais admirado, não ouvia nada. Podia jurar que o anjo de pedra, da catedral do outro lado da avenida, enxugava uma lágrima com a pontinha dos dedos. Ele pensava em Deus, nas alegrias, nas decepções, no tempo que passa rápido, na fragilidade entre o certo e o errado, entre o bem e o mal. Foi atravessando a avenida. “Estou como um liquidificador meio quebrado. Ah, que saudade da esperança que ficou lá no fundo, bem no passado." Uma freada tardia, seguida de um baque, levantou Otoniel bem acima da superfície. Então já era tarde, e tudo escureceu.

segunda-feira, 25 de novembro de 2024

O.124.O menino e o tio - Pastorelli


Feito intrépido Rocicler enfrentando a poeirenta estrada, o velho caminhão apelidado carinhosa­mente de Mazzarope resfolegava em mais uma viagem transportando o pessoal.

Em pé na carroceria junto com os outros, ele se equilibrava numa disfar­çada brincadeira para ver quem permanece­ria mais tempo em pé. Brincadeira estúpida, não gostava. Preferia ficar deitado no assoalho de tá­buas brancas que exalava cheiro de cevada con­templando o céu azul, mas como estavam em mais de vinte pes­soas era obrigado a participar dessa brincadeira boba.

Seus olhos castanhos esverdeados claro lembravam os olhos da vó dardeja­vam um inquieto brilho de raiva, duro, ma­goado, de quem es­pera uma oportunidade, e quando ela chegasse não iria perdê-la, ah! não, não iria perdê-la por nada, seria seu passaporte para a vida futura.

A humilhação quei­mava na mente como ferro em brasa. Os ouvidos martelavam as gozações, as risadas ao verem ele sem calça, nu, pelado na frente de todos. O tio, irmão mais velho da sua mãe, segurando sua calça era quem mais go­zava da sua cara. Como odiara o tio, odiara aquele momento. Seus olhos fuzilaram o tio, seus dentes rangeram um contra o outro num ódio imenso. Nada pudera fa­zer, a não ser se esconder. Num safanão arrancara a calça da mão do tio e fugira. Ah! Ele não perdia por esperar.

Che­gavam à cidade.

Para­riam na casa do tio como faziam toda vez que havia matança de porcos, para a distribuição do quinhão perten­centes a cada uma das fa­mílias. Era nesse momento que ele iria ter a chance. Era só ficar de olho aberto, vigi­ando.

En­quanto o velho Mazzarope atravessava a rodovia en­trando na cidade, revia os acontecimentos que gostaria nunca ter acontecido. Descendo do ca­mi­nhão no pátio da fazenda, a pri­meira coisa que viu foi os porcos sacrifi­cados. Um estava em cima da mesa sendo destrinchado pelas mulhe­res, o outro boiava num tacho de água super quente, e logo mais adi­ante, perto do chiqueiro, um terceiro guinchava e se esperneava perce­bendo seu des­tino. Por fim, se rendendo deixou-se esfaquear pela mão firme do tio que decidido enterrou fundo a faca pontuda na carne do animal espirrando sangue que fora recolhido numa grande caneca.

E quando arrumavam as coisas para vir em­bora, o tio teve a infeliz idéia de arran­car sua calça na frente de todos. O que lhe doía não era o fato de ficar nu, as gozações, os deboches, as ri­sadas das meninas, das mulheres, e sim, o não poder se defender, o não poder revidar o tio sendo obrigado ao vexame.

Vigiando os movi­mentos viu quando o tio ao chegarem foi deitar-se para um pequeno e leve descanso. Esperou até que o tio fechou os olhos e devagar, sem fazer ru­ído, chegou bem perto. Sentia até o hálito do ronco.

Não esperou mais. Desceu a mão em cheio, foi um tapa estrondoso no rosto do tio que assustado não teve tempo de segurar o so­brinho que em desabalada carreira fugia do quarto.

A partir desse dia nunca mais falou com o tio.

domingo, 24 de novembro de 2024

O.123.O papagaio - Pastorelli


O cam­pinho como era cha­mado o ter­reno baldio que fi­cava atrás da casa àquela hora estava va­zio. O que lhe proporcionou uma alegria safada.

Queria testar primei­ra­mente antes de mostrar aos amigos o papagaio que fizera com ajuda do pai na noite anterior.

Olhando para os lados viu que o dia estava exce­lente. O vento so­prava docemente o que prometia boa diversão. Paci­ente esticou a li­nha e sem muita dificul­dade conseguiu colocar o papa­gaio no ar.

A linha quase totalmente esti­rada produzia na sua mão vi­brações pequena que ao seu comando o papagaio subia, descia e com pequenos toques na linha fazia com que ele embi­casse ora para a esquerda, ora para a direita.

Já previa a estupefação dos amigos, as ex­clamações de admiração. Veriam que agora eles tinham um compe­tidor à altura, sor­riu satisfeito.

Nisso ao dar um puxão um pouco mais violento, a linha perdeu a força. O pipa estava caindo. Largou a lata de li­nha e saiu cor­rendo. O campinho não era grande, mas o vento para desespero do ga­roto arrastou o pipa para o outro lado da rua.

Estava quase perto do pipa caído no asfalto quando viu surgir o carro vindo pelo lado es­querdo. Aflito ele acelerou as pernas e gritando e gesticu­lando os bra­ços procurou chamar a atenção do mo­torista.

Porém o veí­culo au­mentou a velocidade não dando oportunidade para que ele che­gasse a tempo para salvar o papagaio. Com os olhos fixos cheios de lá­grimas pegou os destroços do chão e com passos lentos en­trou em casa.

sábado, 23 de novembro de 2024

O.122.Os mil tons da solidão - Angélica T. Almstadter


acenando ao vento se afasta,
já fora do alcance dos sons,
sua obtusa lembrança gasta
na trilha matizes em mil tons


a rede rompeu laços tantos
é hora de navegar a solidão
espraiar em outros recantos,
com fúria, sua autêntica ilusão


sem traves, obstáculos ou afins
sobre os próprios passos
poder calçar solfejos de serafins


um brinde borbulha na taça
a palavra se sujeita a míngua
de qualquer língua em ameaça

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

O.121.Out - Angélica T. Almstadter


 Chic é ousar ser é não negar o tesão,muitos não se levam a auto estima. 
 Estar on as vezes é muito vazio;
 Estar out é uma saca da pra grandes vôos. 
 A solidão é off a alegria está out;um clic e se acende. 
 Mas chic mesmo é saber ser out curtir a solidão gostar muito de ser
 beber o vazio e voar com alegria.

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

O.120.Olhos de ressaca - Angélica T. Almstadter


 Mataram meu humor na curva de uma palavra
 O riso ficou pendurado num canto sem graça da boca 
 minha voz foi encoberta pelo som dos silêncios entre olhados cúmplices 
 meus olhos pensos soluçaram de dor e não mais sairam do porta-retratos da sala

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

O.119.O que queremos - Angélica T. Almstadter


O que esperamos nós brasileiros quando estamos diante da campanha para presidência do Brasil?Esperamos ver os candidatos e pessoas próximas empenhadas em mostrar suas propostas para um Brasil cada vez melhor para todos os brasileiros, não só promessas; reais possibilidades de que possam ser passadas para o exercício prático.Mas será que é isso mesmo que pensam todos?Parece que esqueceram que os maiores interessados, nós brasileiros; povo, portanto a maioria, não quer saber se fulano é santinho ou se ciclano usa vermelho, verde ou amarelo, nós pensamos como um todo pensa: O Brasil que queremos viver, com escolas, educação, saúde, moradia, democracia e paz!
O palco da política nessa campanha virou tanque da lavadeira (que me desculpem as lavadeiras) para lavar todo tipo de roupa suja, inclusive a íntima, em público, enfiando goela abaixo do pobre eleitor falsas promessas, mentiras, boatos maldosos e muita fofoca. Um desrespeito total com quem assiste a esse patético jogo do poder.A democracia é um jogo onde todos têm direito a livre expressão, que não quer dizer bagunça, nem que esse direito não deva ser exercido com responsabilidade, muito pelo contrário; quem tem o poder da palavra, o espaço para se manifestar tem que dar o exemplo e para ser respeitado tem que se dar o respeito.
Por mais que contestem vivemos num país livre, democrático e laico que tem mostrado sua cara no mundo. graças ao empenho do governo do Lula, porque se hoje o Brasil é um país soberano e respeitado lá fora, isso não aconteceu por acaso e nem da noite para o dia, mas pelo esforço do nosso presidente em fazer desse país um país melhor, menos desigual, que sabe o que quer e que luta para que o povo brasileiro entre no mundo moderno usando as mesmas mídias que as elites, com os mesmos direitos a educação, emprego, moradia e a participação ativa na sociedade, a mesma que antes era reservada só a escolhidos e bem nascidos.As eleições presidenciais de 2010 vão entrar para a história, por muitos motivos, entre os quais pela volta do ódio, da busca do retrocesso calcado nas alianças mais espúrias com a extrema direita mais reacionária e retrógada. Uma eleição onde se pretendeu avivar a Inquisição, que foi a face mais vergonhosa da nação cristã. Ainda nessa eleição se pretendeu trazer para o centro das discussões, questões religiosas que não podem e não devem decidir questões eleitorais, destruindo com isso a possibilidade de uma discussão sadia e amplamente divulgada; a do aborto como questão de saúde pública e não do modo aparvalhado e covarde que foi. Um jogo ambicioso onde não se mediu as conseqüências de se atirar no adversário sem observar que na reta estava o próprio pé.Há que levar em grande conta nessa eleição de 2010 a maciça participação das mídias independentes, a blogosfera e o twiter que contribuiram de maneira extraordinária para o envolvimento do eleitor, formando uma massa crítica que não se intimida. Com esse cenário de crescimento da participação popular na internet, já podemos afirmar com certeza de que estamos caminhando a passos largos para uma consciência política muito maior; não há meio mais democrático do que a mídia eletrônica, apesar da crueldade que também pode ser destilada por essa mesma mídia.
Vivemos num país onde quem detêm o poder da palavra escrita, radiofusão e televisiva são as grandes fortunas, que não estão acostumadas as serem confrontados, mas que nessa eleição, muito mais que em outras, tiveram que conviver com a mídia independente o tempo todo fazendo contraponto, filmando e mostrando a verdade. É preciso dar cada vez mais voz ao povo para que ele se manifeste livremente e também faça parte do processo democrático: "Todo poder emana do povo e em seu nome será exercido".Essa pequena burguesia que se mantêm no poder da palavra escrita e falada não gosta de povo que pensa e está tendo que engolir a rebelião pensante levantada pela blogosfera. Já não mais se mostra como o grande poder de "informação" e sim como uma imprensa marrom, golpista que se desnuda a cada dia diante até dos eleitores mais simples.Só seremos uma verdadeira democracia quando o povo conseguir participar do processo ativamente, consciente da sua participação, lendo e escrevendo ciente da sua responsabilidade e participação inequívoca sem que lhe seja tolhido o direito de livremente se manifestar e enxergar a verdadeira face do poder, formando uma consciência crítica.Apesar de ser clara a manipulação de uma imprensa facciosa, ainda podemos tirar dessa eleição lições para nunca mais esquecer: Queremos uma país cada vez mais politizado, consciente e não vamos permitir que nos enfiem goela abaixo convicções pré-estabelecidas, mentiras e principalmente exclusão do povo no processo democrático.Não podemos deixar que nos calem, somos a voz dessa nação e não é meia dúzia de pessoas que vai nos dizer o que fazer, ler ou pensar, muito menos impor os "seus modelos de liderança".Queremos um pais de iguais direitos e deveres.Queremos um país soberano e com as riquezas divididas com o povo e não com estrangeiros.Queremos um BraSil para brasileiros cidadãos e não para aproveitadores de plantão!

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

O.118.O destino de todos - Teca Miranda


Nem penso em morrer
vou deixar acontecer.
Velório não quero,
logo estarei voando
sem urna a me prender.
Minha lembrança ficará
o resto não me importa.
Estarei presente nas ações
deixadas por mim.
Para perpetuar o amor
serei semente no infinito
cantando nos corações
daqueles que ficaram.

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

O.117.Ocaso do amor em si bemol - Herculano Alencar


Foi-se a última nota musical,
plangente, em dissonante sofrimento:
Um Si bemol, acordes de um lamento,
a sostenir um grande recital!

A partitura enverga-se ao final!
Resta uma só clave em solidão,
no lúgubre sepulcro da canção,
tal qual fora um doente terminal.

Foi-se a última dor de uma paixão:
Um Si bemol, em tom quase divino,
deixando amargo rastro no refrão,

qual mugidos de dor do violino!
Do pinho, um pedaço de ilusão
traz a sonata do amor ao seu destino.

terça-feira, 22 de outubro de 2024

O.116.O velho e o mar - Ernest Hemingway


(logo nas primeiras linhas deste clássico senti vontade de, mais do que lê-lo, resumir a história do humilde velho que pescava sozinho em seu barco. Espero ter conseguido passar a essência de Santiago nas minhas linhas) Lucelena Maia
  Noventa e cinco páginas de uma narrativa direta, com frases curtas e diálogos secos.
  Ernest Hemingway anuncia em O velho e o mar a história de Santiago, um pescador cubano em fim de linha.  Foi escrito em 1952 e lhe rendeu o Prêmio Pulitzer. Em 1954, o Nobel da Literatura.
  Dia após dia, Santiago sai com seu barco e volta de mãos vazias. Um velho humilde, magro e seco, com as mãos cobertas de cicatrizes. A princípio levara em sua companhia para pescar um garoto para auxiliá-lo, mas com o passar do tempo e sem que pescasse peixe algum, porque os pais do garoto acharam que ele se tornara um azarento, puseram o filho Manolin  para trabalhar em outro barco.     Mas, o garoto tinha afeição forte pelo velho pescador e o ajudava a carregar os rolos de linha, o gancho e o arpão quando regressava com a embarcação vazia. Talvez porque o velho ensinara o garoto a pescar e por isso ele o adorava.     Todo final de tarde os dois encontravam-se, carinhosos e confiantes um com o outro, em diálogo de respeito e admiração. Também de ajuda. O garoto arranjava-lhe iscas, comida e café. O velho examinava o garoto com seus olhos queimados pelo sol. O garoto gostaria de tornar a sair com o velho, mas Santiago economizava palavras dizendo-lhe não, que ele agora estava num barco de sorte.     A noite chegava e precisavam descansar para a próxima manhã, quando o velho iria acordá-lo, bem cedo, em sua casa.     O garoto ajudava Santiago a carregar os rolos de linhas, arpão e o gancho para o barco, em seguida tomavam café, depois cada um deslizava sua embarcação para a água, mas não antes de o garoto desejar a Santiago sorte. – Boa sorte, meu velho!  Boa sorte, ele devolvia.     Ainda na escuridão o velho seguia e, à medida que remava, pensava no mar com querer bem.     Nesse dia, o sol levantou-se do mar e o velho Santiago enxergou os outros barcos, lá mais para a terra. Depois o sol começou a tornar-se mais forte, as águas começaram a brilhar mais. Agora os barcos estavam muito longe.     Decidiu aventurar-se mais longe ainda, nas águas da corrente do Golfo.     Entre observar os movimentos das varas penduradas fora do barco, viu uma andorinha-do-mar, com suas enormes asas pretas. Pôs-se a remar lenta em direção ao ponto onde ela estava pairando. Um grande cardume de dourados. Os meus peixes grandes devem estar ai por perto, falou em voz alta. Adquirira o hábito de falar em voz alta quando estava sozinho, mas não sabia dizer desde quando.     A linha da popa deu um esticão e ele largou os remos. Trouxe o peixe para dentro do barco. Albacora, da família dos atuns, de pelo menos três quilos. Esse peixe lhe serviria de refeição.     Já não podia ver o verde da costa. O mar estava muito escuro  e a luz formava prismas na água.     No momento em que examinava as linhas viu uma das varas verdes dobrar-se violentamente.     Começava então uma extraordinária batalha entre o homem e o animal. Que o melhor e o mais corajoso vença, pensou o velho marinheiro, tamanha a força do peixe.     O peixe também é meu amigo – disse ele em voz alta. Nunca vi ou ouvi falar de um peixe desse tamanho. Mas eu tenho de matá-lo.     “Se o garoto estivesse aqui, podia molhar os rolos de linha”, pensou. “Se o garoto estivesse aqui. Sim, se o garoto estivesse aqui”.     O sol estava nascendo pela terceira vez desde que se fizera ao mar quando o peixe começou a  nadar em círculos. Sentia sono, sede, cansaço pelo enorme esforço que fazia. Sentira-se também, por duas vezes, estonteado e fraco.     “Nunca estive assim tão cansado em toda a minha vida”, pensou o velho.     “Trabalhe agora você, meu peixe. Eu trabalho depois”.     O peixe ia no seu terceiro circulo quando o velho o viu aparecer à tona d´água. Quase não podia acreditar no seu comprimento. “Não é possível que tenha esse tamanho todo”.     Santiago estava transpirando muito, mas não era só por causa do sol. Em cada uma das lentas voltas que o peixe dava, o velho ganhava linha e poderia ter a oportunidade de usar o arpão.     Mas nada era fácil, mais uma vez, entre muitas, o peixe tornou a retomar o equilíbrio e afastou-se.     - Peixe! – gritou-lhe o velho – Peixe, de qualquer modo você tem de morrer. Acha que precisa matar-me também?     Pôs toda a sua alma no puxão e na agonia do peixe, que veio para junto do barco. Erguendo o arpão tão alto quanto lhe era possível, cravou-o para baixo com toda força. Conseguiu espetar o peixe de lado. O peixe parecia flutuar no ar, por cima do velho. Em seguida caiu na água.     “Agora preciso preparar os laços e a corda para prendê-lo ao barco, pensou. Tenho de preparar tudo, encostá-lo ao barco, prendê-lo bem, fixar o mastro e tomar a direção para a costa”. As mãos muito machucadas, em carne viva, não o preocupavam. “Curam-se depressa com o sal da água”     Não precisava de uma bússola para lhe indicar o sudoeste. Só precisava sentir os ventos alísios e o enfunar da vela.     A embarcação navegava bastante bem. Bebeu a metade de água que lhe restava e comeu os camarões abrigados em um molho das algas amarelas do golfo que o arpão enganchara. Tentava manter-se lúcido.     Já havia decorrido uma hora quando apareceu o primeiro tubarão. Viera das profundezas porque o sangue do peixe se espalhara pelo mar. “Fora bom demais para durar” pensou o velho. “Não posso impedi-lo de nos atacar, mas talvez possa cravar o arpão na cabeça do tubarão”. Assim ele fez. O tubarão permaneceu imóvel à tona d´água e o velho fixava-o com o olhar. Abocanhou uns quinze quilos de carne. Exclamou Santiago. Mas matei o tubarão que mordeu o meu peixe.     Um homem pode ser destruído, mas nunca derrotado.     Algumas outras vezes vieram os tubarões. Ele matou a todos, mas, a cada nova investida deles perdia as ferramentas que usava para livrar-se daqueles famintos Galanos.  Não tinha ele nenhuma outra palavra que melhor exprimisse os seus sentimentos nesta situação, por isso falava em espanhol.  Ficara sem o arpão, a faca que prendera ao remo, também o remo e muito da carne do peixe.     “Era um peixe que poderia ter alimentado um homem durante todo o inverno”, pensou o velho. Gostaria que tudo isso tivesse sido um sonho. “Já devo estar bastante perto”. “Que pode você fazer agora, se eles atacarem durante a noite? Lute! Lute até morrer. Mas o que é que um homem pode fazer contra eles no escuro e sem armas?”
Vieram todos juntos e o velho só conseguia distinguir as barbatanas na água. Lançava e tornava a lançar o cajado com desespero e depois sentiu alguma coisa agarrar no cajado e levá-lo para o mar. Mas agora os tubarões atacavam o peixe todo da popa à proa. Durante a noite alguns tubarões atacaram a carcaça, mas afastaram-se ao verificar que já não lhes restava nenhuma carne.       “Eu nunca tinha sido derrotado e não sabia como era fácil. E o que me venceu? Nada. Fui longe demais”. Não havia ninguém para ajuda-lo e por isso foi com dificuldade que arrastou o barco para terra, deixando-o a meio da praia, sem conseguir leva-lo mais longe. Foi então que conheceu como era profundo o seu cansaço.     Dormia ainda quando, pela manhã, o garoto espreitou pela porta. O garoto viu que o velho respirava. Saiu para a rua para buscar café. Durante todo o caminho não parou de chorar.     Muitos dos pescadores da aldeia estavam em volta da embarcação do velho. Um deles mediu o esqueleto com um pedaço de linha.     Manolin levou a cafeteira para a cabana de Santiago e sentou-se ao lado da cama, até ele acordar.      - Venceram-me, Manolin – falou a custo. - Venceram-me de verdade.
  - Ele não o venceu. O peixe, não.
  - Não. Você tem razão. Foi depois.     Quando saiu para a rua e a caminho da aldeia, o garoto começou a chorar.     Lá em cima, na cabana, o velho estava dormindo de novo, com o rosto escondido no monte de jornais que lhe servia de almofada.

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

O.115.Onde estarão as estrelas - Lucelena Maia


...Se eu as sinto no côncavo de meu corpo,
espalhadas
repousando nas pupilas de meus olhos,
mosqueadas
fazendo-me enxergar além das algemas
apertadas.

... Se eu as sinto presentes no céu de minha boca,
esculturadas
temperando com saliva todas as palavras
desajustadas
que teimam sair, de meus indóceis lábios,
amotinadas.

... Se eu as sinto como agasalho à fria pele
acinzentada
aquecendo em mim, muito além da superfície
macerada
dando-me luz para que eu busque as belezas
espalhadas

... Se eu as sinto penetrando em minha alma
fadigada
transformando-a pândega, calma e
aliviada.
Onde estarão as estrelas, se não, dentro de mim,
guardadas?

domingo, 20 de outubro de 2024

O.114.O que se pretende preservar? - Lucelena Maia


Analisando com cuidado os relacionamentos, percebe-se que se esfacelam com o tempo.
Na forma figurativa, por exposição exagerada ao sol, porque a madrugada é fria, pelo indiferente lusco-fusco do entardecer.
Na verdade e talvez, por serem secundários perante as tantas prioridades que a vida impõe no dia-a-dia e, ainda, recordando a aurora da vida, porque os sonhos eram muitos e as mazelas desconhecidas, a cautela apenas um adereço sem importância.
Quem sabe, se esfacelem pelo excesso de respeito a individualidade de cada um!
DNA é único e intransferível. É prova absoluta de independência do ser humano em relação ao outro, exceto com pai e mãe, o que não os favorece para o bom relacionamento com seu filho, é preciso conviver para fertilizar amor e aguardar que os anos digam do caráter.
A palavra complexidade tem dono; o homem, independente de classe social, raça ou instrução escolar.
Apesar das confusões interiores que permeiam o ser humano, em certo momento da vida tudo fica claro e simples, nem sempre fácil, mas oportuno para reconhecer o que se perdeu por ser rude e o que ainda pode-se reconquistar num relacionamento.
Pessoas despretensiosas têm maior facilidade para enxergar o azul do céu, onde estrelas brilham e a lua se mostra linda e livre, em qualquer fase.
Pessoas despojadas são capazes de opinar sobre uma obra de arte, exporem-se, ao mesmo tempo ouvir com disponibilidade de aprendizado o que diz o crítico.
Pessoa desprevenida facilmente é levada a acreditar naquilo que lhe sopram ao ouvido, mergulhando num mundo imaginário em que reina absoluto o propósito alheio.
Nada a preservar quando a intenção interior é ferir. Esquecidas, impróprias e inúteis tornam-se as palavras respeito e diálogo.
No entanto todo ato pode ser revisto, desde que desfeitas as malícias, as intenções duvidosas, desde que as mãos estejam limpas pelas águas cristalinas do coração e nulos sejam os mecanismos de oportunismo.
Tornar-se uma pessoa melhor é observar mais a si do que ao outro, cuidar de revisar os momentos da vida vividos, e ponderar; como tenho alimentado meus sentimentos!
A cada um é dado o direito de expiar os seus atos.
Há tempo de plantar e tempo de colher!

sábado, 19 de outubro de 2024

O.113.O roçar do outono - Lucelena Maia


Junto ao vento
na fria manhã outonal
sobre rústico peitoril da janela
cortina esvoaça
num vai e vem sem destino
deixando entrar
folhas secas
a se acomodarem no chão...

O vento, mais uma vez,
ao outono se abraça,
as folhas secas, antes,
sossegadas,
levitam e se vão
rumo ao firmamento,
livres de quaisquer anseios,
como bolhas de sabãoque encantam os olhos brindam a estação,
depoisjanelas elas adentramindo acomodarem-se no chão...

sexta-feira, 11 de outubro de 2024

O.112.O rio Capibaribe - Lucelena Maia


Sofre o rio
de águas serenas
que inspirou ao poeta ( João Cabral de Melo Neto a Chico Science)
escrever-lhe poemas...

Sofre o homem
consciente do crescimento desordenado;
causador da grande poluição
a este rio histórico, hoje, assoreado...

Sofre o rio,
sofre o homem;
um, sucateado
outro, de braço cruzado

Mas o Capibaribe tem salvação!
Diz o poeta, nos céus, ajoelhado;
que o povo pernambucano, devoto,
numa corrente de braços comece a limpá-lo!

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

O.111.Olhos que [nada] vêem - Lucelena Maia


...Nada vêem, mas sabem da lua
Branca como neve, redonda, sua
Em sentinela no céu, à noite, linda,
Reunida com estrelas infindas.

...Nada vêem, mas sabem no rosto
De quem segue à risca destino tosco,
Silenciosa brisa a beijar-lhe a face.
No pensamento, a sombra desfaz-se

...Nada vêem, mas sabem dos pés
Descalços, esfolados, em peregrina fé
Ladeira a baixo, ladeira a cima
Cansados a caminhar pela sina


...Nada vêem, mas sabem das mãos,
Que buscam à volta alguma razão
Para as linhas que lhe cortam a palma
A desvendarem a cegueira d'alma
Que buscam à volta alguma razão
Para as linhas que lhe cortam a palma
A desvendarem a cegueira d'alma

terça-feira, 8 de outubro de 2024

O.110.O mundo que criei está triste - Douglas Farias


Mente minha mente No frio, meu coração esfria
Solidão que me deixa só Imaginário mundo se cria
Longe como a lua
Seco como o outono 
Sombrio como a noite
Meu mundo está assim
Vejo que nessa noite
Não há mais estrelas
Elas não irão me iluminar
Hoje meu mundo ficou triste
Meço minhas palavras
Elas confundem meu andar
Guardo meu coração
Com ele crio meu mundo