Um navio bem negro, deslizando por um mar de chumbo. Um céu negro, borrado por nuvens mais negras.
De repente, um apito do navio. Grito de dor tristíssimo?
Tentativa de fazer-se luz? Duras vagas, menos dinâmica que estátua, onde o navio desliza negramente.
Negro céu, negro mar, negro navio.
Lentamente avança, matéria rasgando matéria, esforço de locomoção.
Mal se vê a forma.
Mal se vê o movimento. Fantasma de fantasma.
Quadro pintado, não fosse a frágil mudança.
Um raio de tempestade desesperadamente branco estilhaça em dois a paisagem ao fundo.
Fonte: http://conto-gotas.blogspot.com
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