sexta-feira, 30 de junho de 2017
Crônica - T.002.Temperamental-mente - Angelo Rodrigues
1. Quando constatei a encarnação do Acaso-Absoluto agarrei-me às vísceras do planeta e toquei subtilmente na inconciliável dualidade da alma e do corpo. Lembro-me que me aconteceu um orgasmo cerebral e vivi durante três Eternidades e sete sonhos momentos inebriantes e muito confusos. Do que me aconteceu somos todos culpados. Concluí também que existimos só para conhecermos a angústia-dos-fiéis e as réstias dos sonhos mal-acabados. Temos que nos anular; temos que nos redimir pelo Nada que contém o Todo. A Juventude e a Beleza de todos os sentido de agora, são simplesmente um acaso do 1º grau à escala cósmica. A Juventude e a Beleza só têm sentido no acaso da encarnação que se segue. A nossa perplexa vida é feita de acasos e de encontros fortuitos, de mil sentidos sem horizonte. A minha vida é uma partitura a duas vozes. Há sempre um caminho onde circula uma Beleza-Secreta da asas azuis à espera de um passageiro de viagens eternas. Este poema é maior que ele próprio; é um bilhete que dá acesso a todos os Universos.
Sou um iniciado de CHRISTOS. No mais profundo de mim existe um Templo de Espírito que anseia a sua visita irradiante. Tudo é puro e de paz quando a Luz ilumina o Templo. Irradiantemente bebi um copo com Hermes.
3. Sou sendo o Minotauro, o fio de Ariana e o Labris. Quando me esqueço do Labris e do fio é terrível e confuso; o Minotauro investe e o medo instala-se, desorientado e preso na impotência, viro estátua de barro. A luta é quase impossível porque não sou herói nem filho de Teseu e o estado divino teima em não se revelar nos homens de angústia e de ansiedade onírica e temperamental. Com o Labris e o fio venço o Minotauro e o desconhecido é um doce-convite, uma aventura fantástica e eterna. Não se deve andar no Labirinto sem o Labris e sem o fio.
4. Deus dos outros: Eu tão só, triste e esperançado - no meio do meio - da Tua - Presença-ausência. Porquê(?)
5. Pela janela telúrica meus olhos prendem o Mundo na sedução do momento. O que é visto é Um-Todo-Erótico. O meu orgasmo é campesino e o Espírito-da-manhã dita-me o caminho. O olfacto já não é só um sentido e um enigma porque o Destino é o cheiro eterno, o advento da Rosa redentora.
6.O Azul desfez-se em volúpias, intensidades transcendentais, fervilhantes vitalidades que esmagam horizontes de Alquimia - visíveis com olhos emprestados de anjo-bébé. Os partos-de-Essência acontecem provocados pela vontade desmedida da cosmicidade do Azul-infinito que não existe nas coisas-do-mundo nem neste vosso-observável Céu. O que advém da Luz, sem ser visto por Nós, seres com medo do Medo do nada e do escuro, oculta-se no Azul-absoluto-total e é o enigma que existe nos sonhos-azuis-irradiantes dos místicos e dos para-deus.
Das «coisas intensamente belas» que habitam o outro lado de nós, emana o raro e único perfume, qual afrodisíaco que nos faz desejar a mãe-deusa-Arte: essa que levará carinhosamente ao colo - pelos caminhos do Infinito, a criança-eterna que dorme - por enquanto, demasiadas horas por dia.
Crônica - T.001.Trinta e cinco anos para ser feliz - Martha Medeiros
Uma notinha instigante na Zero Hora de 30/09: foi realizado em Madri o Primeiro Congresso Internacional da Felicidade, e a conclusão dos congressistas foi que a felicidade só é alcançada depois dos 35 anos. Quem participou desse encontro? Psicólogos, sociólogos, artistas de circo? Não sei. Mas gostei do resultado. A maioria das pessoas, quando são questionadas sobre o assunto, dizem: "Não existe felicidade, existem apenas momentos felizes". É o que eu pensava quando habitava a caverna dos 17 anos, para onde não voltaria nem puxada pelos cabelos. Era angústia, solidão, impasses e incertezas pra tudo quanto era lado, minimizados por um garden party de vez em quando, um campeonato de tênis, um feriadão em Garopaba. Os tais momentos felizes. Adolescente é buzinado dia e noite: tem que estudar para o vestibular, aprender inglês, usar camisinha, dizer não às drogas, não beber quando dirigir, dar satisfação aos pais, ler livros que não quer e administrar dezenas de paixões fulminantes e rompimentos. Não tem grana para ter o próprio canto, costuma deprimir-se de segunda a sexta e só se diverte aos sábados, em locais onde sempre tem fila. É o apocalipse. Felicidade, onde está você? Aqui, na casa dos 30 e sua vizinhança. Está certo que surgem umas ruguinhas, umas mechas brancas e a barriga salienta-se, mas é um preço justo para o que se ganha em troca. Pense bem: depois dos 30, você paga do próprio bolso o que come e o que veste. Vira-se no inglês, no francês, no italiano e no iídiche, e ai de quem rir do seu sotaque. Não tenta mais o suicídio quando um amor não dá certo, enjoou do cheiro da maconha, apaixonou-se por literatura, trocou sua mochila por uma Samsonite e não precisa da autorização de ninguém para assistir ao canal da Playboy. Talvez não tenha se tornado o bam-bam-bam que sonhou um dia, mas reconhece o rosto que vê no espelho, sabe de quem se trata e simpatiza com o cara. Depois que cumprimos as missões impostas no berço — ter uma profissão, casar e procriar — passamos a ser livres, a escrever nossa própria história, a valorizar nossas qualidades e ter um certo carinho por nossos defeitos. Somos os titulares de nossas decisões. A juventude faz bem para a pele, mas nunca salvou ninguém de ser careta. A maturidade, sim, permite uma certa loucura. Depois dos 35, conforme descobriram os participantes daquele congresso curioso, estamos mais aptos a dizer que infelicidade não existe, o que existe são momentos infelizes. Sai bem mais em conta.
Crônica - N.002 - Navegue - Vilma Galvão
"Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar, o lugar deles é lá. Admire a lua, sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra. Curta o sol, se deixe acariciar por ele, mas lembre-se que o seu calor é para todos. Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu. Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda parte, ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde. Não apare a chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos, não pode molhar só o seu. As lágrimas? Não as seque, elas precisam correr na minha, na sua, em todas as faces. O sorriso! Esse você deve segurar, não deixe-o ir embora, agarre-o! Quem você ama? Guarde dentro de um porta jóias, tranque, perca a chave! Quem você ama é a maior jóia que você possui, a mais valiosa. Não importa se a estação do ano muda, se o século vira e se o milênio é outro, se a idade aumenta; conserve a vontade de viver, não se chega à parte alguma sem ela. Abra todas as janelas que encontrar e as portas também. Persiga um sonho, mas não deixe ele viver sozinho. Alimente sua alma com amor, cure suas feridas com carinho. Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas não enlouqueça por elas. Procure, sempre procure o fim de uma história, seja ela qual for. Dê um sorriso para quem esqueceu como se faz isso. Acelere seus pensamentos, mas não permita que eles te consumam. Olhe para o lado, alguém precisa de você. Abasteça seu coração de fé, não a perca nunca. Mergulhe de cabeça nos seus desejos e satisfaça-os. Agonize de dor por um amigo, só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo também. Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa procura. Arrependa-se, volte atrás, peça perdão! Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário. Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas. Se achar que precisa voltar, volte! Se perceber que precisa seguir, siga! Se estiver tudo errado, comece novamente. Se estiver tudo certo, continue. Se sentir saudades, mate-a. Se perder um amor, não se perca! Se achá-lo, segure-o! ""Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada"". "
Crônica - N.001.Nosso tempo - Vilma Galvão
Temos todo o direito de ser felizes nesta vida... Procuramos entre todas as pessoas, uma que satisfaça nossas expectativas e muitas vezes nos decepcionamos profundamente com elas, sem uma explicação lógica do porquê dos acontecimentos. Vivemos numa época em que a maioria das pessoas é atacada por uma solidão sem graça e que dói muito, mas elas teimam em buscar nas outras pessoas o que dentro delas estão errado, vivendo assim num círculo vicioso e que vai levando aos poucos a sua juventude e seus sonhos de vida.
Algumas pessoas até conseguem ter momentos felizes com outras, mas poucos são os relacionamentos que duram muito tempo, e estão durando cada vez menos. Nessas trocas de parceiros, vai e volta a solidão e a espera pela pessoa especial que parece nunca vir.
Ao terminar um relacionamento, elas entram em outro com toda bagagem do passado... Cobrando e se culpando pelas mesmas coisas, e também levando os mesmos erros que cometera anteriormente, numa corrida desenfreada contra o tempo, apenas para não se sentir sozinhas.
Ao notar que a outra pessoa também tem os mesmos defeitos, tenta escapar mais uma vez, e com as mesmas armas, usa contra o novo amor perdendo mais uma vez a chance de conhecer melhor quem está ao seu lado, pois em sua cabeça está a imagem daquela pessoa que a decepcionou e a deixou por outros amores ou outros motivos.
E assim, passa a vida, e quando elas abrem os olhos para a realidade, começam a sentir saudades de alguém do passado, e novamente a loucura de tentar recuperar o tempo perdido, mesmo sabendo que aquela felicidade não existirá mais com a mesma pessoa.
Mas se ao invés disso, ao terminar um relacionamento desgastante, possamos dar um tempo para nós mesmos, aí as coisas mudam de paisagem, poderemos finalmente saber quem somos e o que buscamos e necessitamos.
"Precisamos de um tempo para nós mesmo, urgente. Não podemos buscar nas pessoas o que nos falta, e devemos esquecer aquela afirmação de que ""os opostos se atraem"", nada disso. Os opostos apenas nos atraem para nos intrigar, porque estamos querendo o que o outro tem e que nos falta, e em nenhum momento essas diferenças nos farão bem algum, por mais que insistam em afirmar isso, digo com toda certeza que isso é um erro por nós cometido ha muito tempo e que cada vez mais têm nos feito sofrer demais... "
" Devemos procurar alguém que tenha os mesmos sonhos, ideais, gostos, passado e visão para o futuro... Alguém que entenda até nossos pensamentos, aquela pessoa especial será assim, sem dizer uma só palavra lhe dirá tudo..."
Esse tempo de solidão é preciso, para nos conhecermos melhor, entender as nossas falhas e nossos triunfos. Entender o que é importante para nós, e o que podemos esperar ainda da vida, sem errar mais uma vez, sem sentir desespero, sem ficar louco!
Devemos parar por um bom tempo depois de um relacionamento, e esperar que "aquela" angústia e sensação de desprezo passe! Dura muito tempo, mas passa, e só depois disso é que vem a sensação de paz, e aí é hora de começarmos a nos buscar, e finalmente nos responder o porquê das desilusões, das buscas erradas, dos momentos de engano que tivemos com cada pessoa que nos relacionamos.
Quando estivermos em paz com nós mesmos, perceberemos que muitas coisas passaram a ser importantes e muitas delas já podemos abrir mão, e deixar que vá embora da nossa vida.
Esta é a hora de mudarmos de trabalho, procurar um que nos gratifique por inteiro. De casa, uma casa onde possamos nos sentir bem mesmo estando sozinho. De religião, aquela que não nos escravize e nem nos deixe sem respostas, que nos coloque mais perto de Deus, entendendo e aceitando suas obras com serenidade. É a hora de mudanças, se assim sentirmos necessário!
Precisamos nos conhecer mais profundamente, e estaremos prontos a compartilhar nossos sonhos com a pessoa certa, aquela que também teve este mesmo tempo para mudar e se entender.
A pessoa certa é aquela que larga tudo para viver um amor com você, não mede esforços para lhe agradar, porque sabe que você também não medirá. Estará sempre presente em sua vida e como ela também é como você, que teve "aquele" tempo para se descobrir, vai entender tudo o que você sonha e sonhará junto todos os projetos de vida.
A pessoa ideal, é a que vem mansamente lhe conquistando, lhe agradando e em nenhum momento apressa seus sentimentos, mas está sempre com você em qualquer momento, mesmo que para isso tenha que abrir mão de outras coisas da vida.
"Quando encontramos alguém que finalmente nos emociona e nos completa, tudo passa a ser diferente, os valores mudam, colocamos a pessoa em nosso círculo e incluímos a sua presença em todos os momentos... "
" Só se encontra a pessoa ideal para um relacionamento saudável, aquele que teve o seu tempo para pensar e se conhecer."
Sem isso nada pode ser diferente do passado, sempre haverão desilusões e os tormentos da procura.
SOLIDÃO APÓS DECEPÇÃO, É PRECISO, É NECESSÁRIO!
Crônica - L.001 - Ladrão de Galinha - Luis Fernando Veríssimo
Qualquer semelhança é mera coincidência -
Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e o levaram para a delegacia.
- Que vida mansa, heim, vagabundo? Roubando galinha para ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai para a cadeia!
- Não era para mim não. Era para vender.
- Pior. Venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Sem-vergonha!
- Mas eu vendia mais caro.
- Mais caro?
- Espalhei o boato que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as minhas galinhas não. E que as do galinheiro botavam ovos brancos enquanto as minhas botavam ovos marrons.
- Mas eram as mesmas galinhas, safado.
- Os ovos das minhas eu pintava.
- Que grande pilantra...
Mas já havia um certo respeito no tom do delegado.
- Ainda bem que tu vai preso. Se o dono do galinheiro te pega...
- Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele,
e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus.
Convidamos outros donos de galinheiros a entrar no nosso esquema.
Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio.
- E o que você faz com o lucro do seu negócio?
- Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros.
Consegui exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para programas de alimentação do governo e superfaturo os preços.
O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada.
Depois perguntou:
- Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?
- Trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.
- E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?
- Às vezes. Sabe como é.
- Não sei não, excelência. Me explique.
- É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa.
O risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo.
Só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora. Fui preso, finalmente.
Vou para a cadeia. É uma experiência nova.
- O que é isso, excelência? O senhor não vai ser preso não.
- Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!
- Sim. Mas primário, e com esses antecedentes..."
S.045.Sua volta - Vilma Galvão
E você agora está aqui,
sem nada dizer,
volta...
olha-me...
e sorri...
Não estou bem certa
do que estou sentindo
Sinto-me feliz em te ver,
mas também,
mágoas em lembrar do seu adeus.
Sinto alegria em beijar-te mais uma vez...
Mas,
tristeza em sentir nesse beijo,
uma dúvida:
Se ainda és meu,
se ainda tenho em seu coração
o mesmo espaço que ocupava.
Se em seus olhos,
a minha imagem ainda é a mesma.
Se em seus desejos
ainda sou suficiente...
Não sei...
Não posso dizer que estou feliz,
ou então que estou triste,
Não sei...
O passado ainda dói,
Faz-me lembrar de um tempo,
tempo de lágrimas,
tempo de despedidas
tempo de solidão...
Talvez eu ainda tenha você
como costumava tê-lo...
Talvez ainda me ame da mesma maneira...
Talvez eu já tenha esquecido você,
Talvez...
Não sei...
Aceitar você agora,
seria assinar meu próprio destino,
deixar que ele se encarregasse
de prosseguir a vida,
quem sabe, para uma felicidade.
Aceitar você novamente,
teria que não mais lembrar do passado,
viver o agora
e acreditar no amor,
num amor pleno,
eterno,
sem atalhos,
sem dúvidas,
sem enganos,
Para poder assim,
quem sabe...
Ser feliz...
Muito feliz...
S.044.Só Tú - Paulo Setubal
Dos lábios que me beijaram,
Dos braços que me abraçaram
Já não me lembro, nem sei ...
São tantas as que me amaram !
São tantas as que eu amei !
Mas tu --- que rude contraste !
Tu, que jamais me beijaste,
Tu, que jamais abracei,
Só tu, nest'alma, ficaste,
De todas as que eu amei.
S.043.Sou sua - Vilma Galvão
Sou sua,
desde o dia em que me viu pela primeira vez,
desde que me tomou como mulher,
desde que olhei em teus olhos
e vi neles todos os meus sonhos...
Sou sua,
acho que desde sempre,
talvez eu seja sua mesmo antes de nascer,
porque em mim
bate um coração compassado com o seu,
ou o mesmo coração em nós dois...
Sou sua,
na manhã que me beija,
na tarde que pára o seu trabalho e pensa em mim,
na noite que me ama profundamente...
Sua,
porque nem sei mais viver sem você,
costume e amor
juntos e deliciosamente banhado em carinho.
Sua,
porque algum dia fomos apresentados por Deus.
Sua,
porque tudo o que move neste mundo
fala desse nosso amor.
Sua,
porque foi escrito no livro da vida
que eu seria sua e você seria meu...
S.042.Sou a sua vida - Vilma Galvão
Sou a sua manhã esperançosa
que surge o sol,
que clareia a terra,
que enche dos cantos dos pássaros.
Sou a sua morada,
que te faz seguro,
que te fornece o leito,
que acalma suas dores.
Sou o seu porto seguro,
a sua partida,
a sua chegada,
o maior valor da sua vida.
Sou o seu alimento,
que recarga as suas energias,
que mantém a sua saúde,
que cuida da sua mente.
Sou o seu trabalho,
que te dá o devido sustento,
que te oferece a dignidade,
que te dá o prazer da paz.
Sou o seu mundo,
para te acomodar,
para te servir de parâmetro,
para ser o seu refúgio.
Sou o tudo na sua vida,
o tudo que tanto procura,
a felicidade que tanto busca,
as respostas que tanto espera,
a formação completa do seu espírito.
Sou o único caminho.
Sou a única verdade.
Sou a única e real VIDA.
E você é a minha imagem.
Sou, e você talvez ainda não tenha entendido.
Que sou o seu DEUS,
e que nada pode ser maior que Eu...
S.041.Sonhos - Vilma Galvão
Quem nunca esteve tão perto
de conquistar seu sonho e acabou perdendo?
Quem nunca sentiu uma imensa felicidade
ao realizar um sonho?
Quem nunca sonhou algo possível ou impossível?
O que seríamos sem sonhos?
Sonho, é tudo aquilo que queremos
é tudo aquilo que almejamos
é tudo aquilo que parece estar tão longe...
No sonho tudo é permitido, nada pode ter limite,
qualquer um pode sonhar...
Às vezes o ser humano é tão sonhador,
que quando vê conquistado o seu sonho,
não lhe dá o devido valor...
Em outras vezes,
passa muito perto do sonho mas nem o reconhece...
É preciso que estejamos preparados
para as realizações de nossos sonhos,
para que quando ele estiver em nosso presente,
possamos nos sentir satisfeitos com ele.
É preciso que sempre tenhamos sonhos,
para a vida ficar mais leve,
para estarmos sempre de bem com o mundo,
para termos motivos para acordar todos os dias,
para que o nosso coração não se sinta vazio,
para que o nosso amanhã
seja a realidade dos sonhos de hoje...
terça-feira, 30 de maio de 2017
T.038.Tú és - Thais Arrighi
Tu és...Meu sol
A fonte que alimenta
As raízes do meu eu
Com você...Sonho
O cantar do alvorecer
A alegria do meu entardecer
Os sonhos das minhas noites
Vazias e sem estrelas
Mas...Tu és
A flor mais bela do meu jardim
A criança que existe em mim
O meu ocaso num acaso
Meu oásis no deserto do meu coração
Porque tu és...
A água cristalina que purifica
As raízes do meu eu
Nos meus dias...Nos amanhãs
Porque tu és...O meu tudo...
Ou... Será o meu...Nada
Porque...Tu és...
T.037.Teu nome - Thais Arrighi
Nem sei ainda
Sonho sem saber...
E entre braços e...Enlaço de prazer
Vou sonhando sem querer...
Ando cantando...
Soletrando um nome!
Que nem sei ao menos dizer
Mas que faz parte integrante
Do meu ser...
Dia esperado...Noite agitada...
E na descoberta
Sonho mais uma vez!
E ao acordar... A tristeza
De não saber
Teu nome ainda dizer!
Vem a saudade do carinho
Você a me contar...
Te amo... Te adoro...Te quero
Mas como vou saber...
Se ainda...
O teu nome
Nem mesmo sei escrever
Fico então a imaginar...
Se ao te encontrar um dia
O teu nome irei chamar
Num abraço apertado
Num beijo selado
O teu nome então...
Será que eu poderei gritar?
T.036.Teclado - Um elo virtual - Thais Arrighi
Você e eu
Em sintonia
Sideral
Neste mundo de fantasia
Entre meu ser irreal
Vai me ditando normas
Que insisto em não querer
Pois o que sinto é mais forte
Entre o eu e o você!
Meu espaço coração
Não demonstra
Coragem bastante
Para o eu suplicante
Sintonizar a emoção
De viver sem alma
Corpo e coração
Do ficar só com você
Nesta noite inerte...Frio
Sem emoção!
Você que aprendeu
A linguagem dos poetas
Onde o sol e a lua
Perdidos entre amores
Espelha-se nos mares
Suplicantes de emoção
Vamos levando e
Buscando a saudade
De amores perdidos
Entre o tempo e o espaço
Deste mundo virtual
Ficando somente um abraço
Aquele que nunca existiu...
Vá então teclando...Teclando
Levando nossas poesias
E um dia com certeza
Encontraremos
Um novo amor virtual
Enquanto este dia não chega
Vou dizendo com carinho...E num afago
Amo você meu teclado!
Crônica - Q.002 - Quem morre - Pablo Neruda
Quem Morre?
Morre lentamente que não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor próprio,
Quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor,
ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere o negro sobre o branco
E os pontos sobre os “is”
Em detrimento de um redemoinho de emoções
justamente as que resgatam o brilho nos olhos, sorrisos
dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está
Infeliz com o seu trabalho
Quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
Quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir
dos conselhos sensatos .
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se
Da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente quem abandona um projeto
antes de inicia-lo
quem não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito
maior que o simples fato de respirar.
Somente a perseverança fará com que conquistemos um
estágio esplêndido de felicidade.
Crônica - Q.001 - Quase - Luis Fernando Veríssimo
Ainda pior que a convicção do não, a incerteza do talvez é a desilusão de um "quase".
É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.
Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou.
Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa bendita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor, não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive ... já morreu!!
Crônica - H.005 - Homem Maduro - Lisiê Silva
Há uma indisfarçável e sedutora beleza na personalidade de muitos Homens que hoje estão na idade madura.
É claro que toda regra tem suas exceções, e cada idade tem o seu próprio valor.
Porém, com toda a consideração e respeito às demais idades, destacaremos aqui uma classe de Homens que são companhias agradabilíssimas: Os que hoje são quarentões, cinquentões e sessentões.
Percebe-se com uma certa facilidade, a sensibilidade de seus corações, a devoção que eles tem pelo que há de mais belo: O sentimentalismo. Eles são mais inteligentes, vividos, charmosos, eloqüentes. Sabem o que falam, e sabem falar na hora certa. São cativantes, sabem se fazer presentes, sem incomodar. sabem conquistar uma boa amizade.
Em termos de relacionamentos, trocam a quantidade pela qualidade, visão aguçada sobre os valores da vida, sabem tratar uma mulher com respeito e carinho. São Homens especiais, românticos, interessantes e atraentes pelo que possuem na sua forma de ser, de pensar, e de viver. Na forma de encarar a vida, são mais poéticos, mais sentimentais, mais emocionais e mais emocionantes.
Homens mais amadurecidos têm maior desenvoltura no trato com as mulheres, sabem reconhecer suas qualidades, são mais espirituosos, discretos, compreensivos e mais educados.
A razão pela qual muitos Homens maduros possuem estas qualidades maravilhosas se deve a vários fatores: a opção de ser e de viver de cada um, suas personalidades, formação própria e familiar, suas raízes, sabedoria, gostos individuais, etc... mas eu creio que em parte, há uma boa parcela de influencia nos modos de viver de uma época, filmes e músicas ouvidas e curtidas deixaram boas recordações de sua juventude, um tempo não tão remoto, mas que com certeza, não volta mais.
Viveram sua mocidade (época que marca a vida de todos nós) em um dos melhores períodos do nosso tempo: Os anos 60/70. Considerados as "décadas de ouro" da juventude, quando o romantismo foi vivido e cantado em verso e prosa.
A saudável influência de uma época, provocada por tantos acontecimentos importantes, que hoje permanecem na memória e que mudaram a vida de muitos.
Uma época em que o melhor da festa era dançar coladinho e namorar ao ritmo suave das baladas românticas. O luar era inspirador, os domingos de sol eram só alegrias.
Ouviam Beatles, Johnny Mathis, Roberto Carlos, Antônio Marcos, The Fevers, Golden Boys, Bossa Nova, Morris Albert, Jovem guarda e muitos outros que embalaram suas "Jovens tardes de domingo, quantas alegrias! Velhos tempos, belos dias."
Foram e ainda são os Homens que mais souberam namorar:
Namoro no portão, aperto de mão, abraços apertadinhos, com respeito e com carinho, olhos nos olhos tinham mais valor...
A moda era amar ou sofrer de amor.
Muitos viveram de amor... Outros morreram de amor...
Estes Homens maduros de hoje, nunca foram Homens de "ficar".
Ou eles estavam namorando firme, ou estavam na "fossa", ou estavam sozinhos.
Se eles "ficassem", ficariam para sempre... ao trocar alianças com suas amadas.
Junto com Benito de Paula, eles cantaram a "Mulher Brasileira, em primeiro lugar!"
A paixão pelo nosso país, era evidente quando cantavam:
" As praias do Brasil, ensolaradas, no céu do meu Brasil, mais esplendor... A mão de Deus, abençoou,
Mulher que nasce aqui, tem muito mais Amor...
Eu te amo, meu Brasil, Eu te amo...
Ninguém segura a juventude do Brasil... sil... sil... sil..."
A juventude passou, mas deixou "gravado" neles, a forma mais sublime e romântica de viver.
Hoje eles possuem uma "bagagem" de conhecimentos, experiências, maturidade e inteligência que foram acumulando com o passar dos anos. O tempo se encarregou de distingui-los dos demais: Deixando os seus cabelos cor-de-prata, os movimentos mais suaves, a voz pausada, porém mais sonora, hoje eles são Homens que marcaram uma época.
Eu tenho a felicidade de ter alguns deles como amigos virtuais, mesmo não os vendo pessoalmente, percebo estas características através de suas palavras e gestos.
Muitos deles hoje "dominam" com habilidade e destreza essas máquinas virtuais, comprovando que nem o avanço da tecnologia lhes esfriou os sentimentos pois ainda se encantam com versos, rimas, músicas e palavras de amor, nem lhes diminuiu a grande capacidade de amar, sentir e expressar seus sentimentos. Muitos tornaram-se poetas, outros amam a poesia.
Por que o mais importante não é a idade denunciada nos detalhes de suas fisionomias e sim os raros valores de suas personalidades.
O importante é perceber que seus corações permanecem jovens...
São homens maduros, e que nós, mulheres de hoje, temos o privilégio de poder admirá-los.
Crônica - H.004 - Houve um tempo - Ana Clara Osório
Houve um tempo... (!!!???) Houve um tempo que eu queria ser beijada. Houve um tempo que eu queria estar sozinha. Houve momentos em que esperei um beijo e esperei a solidão, e houve tantos momentos que permaneci sozinha. Nem um som... Apenas eu, lá parada... Só tão só que nem a solidão me fazia companhia. E ai houve um tempo que eu quis chorar, quis correr e mostrar para o mundo como doía. Houve um tempo que eu o fiz, e me decepcionei... E como me decepcionei... Estúpida eu por acreditar no amor... Estúpida eu por acreditar na solidão... Estúpida eu por me decepcionar... Houve um tempo que eu esperei algo mais das pessoas, e sim houve um tempo que elas não me decepcionaram. Quando era esse eu não me recordo muito bem, talvez um tempo em que minha inocência ainda não era perdida. Houve tantos momentos... De solidão, de carência, de tudo... E não houve um sequer momento em que eu tenha conseguido saciá-los. O beijo não era o certo. A solidão era só de mais. As lágrimas não expressavam mais dor, apenas algo reprimido. E a decepção ainda estava ao meu lado, como sempre. Minha fiel e eterna companhia, talvez tenha sido ela que tenha feito de tudo um pouco vazio... Talvez fosse dela o gosto azedo dos beijos... Talvez fosse ela que espantasse a solidão, que por muitas vezes achei estar sempre ao meu lado, mas agora percebo que por mais uma vez estive errada... Estúpida eu por acreditar... Estúpida... Houve momentos que eu quis fugir, mas não tive coragem... Houve um tempo que eu acreditava que havia para onde fugir... Houve um tempo que ela não tocava a tudo... E há um tempo que me consome, não toca, me leva... Há um tempo em que não há beijos, não há lágrimas e nem solidão... Há um tempo que eu já não corro, estou cansada demais... Há um tempo que mais nada espero, apenas sou levada...
E há um tempo que ela toca tudo, cada beijo inexistente, cada companhia imaginária. Estúpida eu por deixar ela me tomar. Estúpida eu por ter deixado de acreditar no amor. Estúpida eu por deixar de acreditar na solidão.
E estúpida, eternamente estúpida por me decepcionar. Por não ter feito daquele beijo o certo e daquela solidão minha companhia. De não ter saciado cada momento, não ter lutado até o fim. Mas agora, bem, já é tarde, a noite corre solta e a lua ilumina meu rosto. Um sentimento um tanto agradável já toma conta de mim, acho que já sou dela... Há um tempo que mais nada importa, nada se espera... Mas sim houve um tempo em que tudo era melhor, havia esperança. Apenas algo para que se despedir...
Crônica - H.003 - Homem gosta de Homem - Mario Prata
- Homem gosta de homem!- disse, corajosamente, o cartunista Miguel Paiva (Radical Chic) na semana passada no gostoso (e gostosa) Marilia Gabi Gabriela. É preciso ter peito para fazer-se uma declaração dessa em público. E, quem tem peito, geralmente, são as mulheres. Escrevi e montei uma peça há uns anos atrás, chamada Besame Mucho. Esta peça tratava justamente deste assunto. A relação de ternura entre dois homens. Da infância até a maturidade. Antes que alguém viesse dizer que era coisa de viado, tive que inventar uma palavra para explicar a relação entre os dois personagens masculinos. A palavra era "homoternurismo" e, para minha infelicidade, até hoje não se incorporou ao Aurélio. Mulher é bom, é ótimo, nem se discute. Mas que os homens preferem os homens, também não se discute. Desde a infância, menino gosta de brincar com menino. Clube do Bolinha. Menina não entra! Na adolescência, é a mesma coisa. Temos olhos para os seios e os bumbuns da meninas, mas no meu time de futebol elas não entravam. Era rapaz de um lado e as meninas do outro. A gente casa, ama a esposa da gente, tem filhos, mas não vê a hora de ir para o botequim tomar umas e outras com os amigos. Os amigos do peito. Já notaram que os homens não têm amigas do peito? Tem amigas com peito. Na hora da confidência mais confidencial, na hora do aperto, do ombro amigo, e o amigo do peito (para se chorar) que está ali. Favor não confundirem, jamais, homoternurismo com homossexualismo. E a gente vai crescendo e vai formando o nosso time de amigos eternos, confiáveis, pau (ops!) pra toda obra. O domingo, por exemplo, foi feito para se passar com os amigos. O jogo de futebol, os gols na televisão, a cervejinha gelada. Mas qual é a mulher que não quer ir a "um cineminha" no domingo? Devia ser proibido mulheres aos domingos, dizia um meu amigo do peito, casado. Tudo isso que eu escrevi aí em cima, se for mesmo válido, só é válido até uma certa idade. A idade que eu estou agora. Quase cinqüenta anos, cheio de amigos e sem nenhuma mulher.
Talvez por pensar assim. "Um misógino!", diriam elas. Mas o mesmo Aurélio, que não consolidou o homoternurismo, diz que misógina é uma "repulsa mórbida do homem ao contato sexual com as mulheres". Não é o caso. E, outro dia, discutia isso com um velho amigo velho de 84 anos. Ele concordou, em termos, do alto de sua sabedoria de ancião.
Mas fez uma ressalva. Jogou na minha cara: - Daqui para a frente, é melhor começar a convidar mulheres para ir ao jogo de futebol. É melhor ir aprendendo a tomar caipirinha com mulheres no sábado antes da feijoada. Já está na hora de parar de reparar apenas nos seios e nas bundinhas das mulheres. As mulheres tem mais alma que os homens!
Crônica - H.002 - Homem Macaco - Heber Salvado de Lima
Eu estava de passagem pela Universidade de Fordhan, Nova York. Meu colega, Jesuíta americano, ao saber que eu gostava de escrever historinhas leves para jovens, propôs um passeio a Long Island, onde veria alguma coisa sensacional, inesperada e até nunca sonhada por ninguém... Fez-me entrar no carro e saímos... De fato, o que vi neste passeio é um caso único. Uma fábrica de sapatos projetada só para deficientes físicos. Todas as máquinas foram desenvolvidas pelo proprietário da empresa, Mister Henry Viscardi. vv Lá se viam máquinas acionadas só por um toco de braço, outras só pelos pés ou alguma perna atrofiada. Havia uma, a que mais me comoveu, manipulada pela boca de um operário tetraplégico! Henry Viscardi, o dono e criador dessa maravilha de amor, era também deficiente físico. Nascera com as pernas atrofiadas do joelho para baixo e tinha apenas um esboço de pés. Quando criança, andava com as mãos, segurando dois tocos de madeira, calçados com borracha de pneu. Esse seu modo de andar lhe valeu o apelido de "homem-macaco", dado pelos meninos da escola. Cada vez que o chamavam assim, ele saía, pulando com seus tocos de madeira, para ir chorar junto da professora. Um dia, esta resolveu dar-lhe uma sacudidela moral, dizendo: - Você pode pôr um fim a tudo isso se quiser! É um garoto muito inteligente e pode ser o primeiro da classe. Quando tal acontecer, todos irão respeitá-lo. Foi dito e feito. Passou a enfrentar aquela situação (ver-se chamado de "homem- macaco") sem lágrimas nem agressividade. Mas, sobretudo, começou a caprichar nos estudos, em pouco tempo estava em primeiro lugar! Acabou-se a zombaria. Ele terminou o primário e o colegial. Entrou para a faculdade e formou-se em engenharia. Casou-se e teve quatro filhas! Abriu uma indústria de sapatos e, em poucos anos, acumulou uma imensa fortuna!
Um dia, no seu carrão milionário, adaptado por ele próprio para ser controlado inteiramente com as mãos, viu um deficiente físico arrastando-se pelas ruas de Nova York.
Aquilo doeu-lhe e lhe sugeriu uma grande idéia. Começou a planejar máquinas especiais para deficientes. Foram meses e meses de trabalho, debruçado sobre as pranchetas... E a fábrica saiu do papel. Lá estava eu percorrendo seus pavilhões, saudado por dezenas e dezenas de sorrisos de deficientes... mas não havia deficiência alguma naqueles sorrisos, porque vinham de homens e mulheres muito felizes. Henry Viscardi é um grande católico, mas sua fábrica, que leva o nome tão bem empregado de "Abilities" (Habilidade), tem emprego para todas as religiões e todos se amam com o mesmo sorriso de felicidade! - Eu que conheci bem o sofrimento aprendi a socorrer os que sofrem. Há muitas pessoas sofredoras que, talvez, encontrassem paz e felicidade se procurassem ajudar alguém que sofre tanto ou mais do que elas. Esta é a lição maravilhosa, inesquecível, do milionário deficiente físico que, do alto dos seus milhões de dólares, debruçou-se sobre outros deficientes e os ajudou a encontrar o seu lugar na vida. A Lição do " Homem-macaco"!
Crônica - H.001 - Homens que odeiam demais - Silvane Sabóia
Ontem na mesa do barzinho
um homem falava que as mulheres
complicam a vida.
Ele falava o tempo todo sem parar
sobre as supostas bobagens das mulheres.
Ele, esse conhecedor de mulheres
falava visivelmente alterado e eu pensei:
*Esse ai foi corno.
No transcorrer da noite ele me assustou
com as bobagens que falou.
Que Mulheres eram idiotas, burras, e todas
estavam aquém dos homens.
E eu me contendo...
Quando o pobre infeliz teve o azar de
sentar ao meu lado, e eu o olhei discretamente,
era barrigudo, não usava perfume e
estava de bermuda, não suporto homens que
saem de bermuda a noite.
Me deu vontade de perguntar: Meu filho atual-
mente você transa com que tipo de gente?
Mulheres você odeia!?
Ele foi bebendo, bebendo e falou:
As mulheres e os gays querem comandar o mundo!
Eu pensei: Além de corno, tem um lado bicha.
Aposto que fantasia coisas com eles.
No fim da noite ele arriscou a me dar um sorriso...
E falou: O que você faz?
Eu respondi: Sou poeta meu amigo, não vivo
disso, mas é o que sou.
Ele disse: Você escreve sobre o que?
Eu tasquei a vingança respondendo:
Escrevo sobre a alma das pessoas, sua solidão,
sua necessidade de auto estima, seus amores,
dores, temores e principalmente sobre homens
que são eternos meninos, homens que odeiam
a si mesmos por sua incapacidade de amar e
que desabafam o seu fracasso nas mulheres.
E escrevo sobre conversas de bares, o que eles
expõem nas mesas e sua infantilidade em tentar
serem machões disfarçando assim sua
fragilidade e ignorância.
Sobre essas coisas....
E você faz o quê?
Ele disse branco e todo errado.
Sou dentista...
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