segunda-feira, 31 de março de 2025

O.129.

O.128.

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O.126.

O.125.

O.124.

O.123.

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O.121.

O.120.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

O.119.O que queremos - Angélica T. Almstadter


O que esperamos nós brasileiros quando estamos diante da campanha para presidência do Brasil?Esperamos ver os candidatos e pessoas próximas empenhadas em mostrar suas propostas para um Brasil cada vez melhor para todos os brasileiros, não só promessas; reais possibilidades de que possam ser passadas para o exercício prático.Mas será que é isso mesmo que pensam todos?Parece que esqueceram que os maiores interessados, nós brasileiros; povo, portanto a maioria, não quer saber se fulano é santinho ou se ciclano usa vermelho, verde ou amarelo, nós pensamos como um todo pensa: O Brasil que queremos viver, com escolas, educação, saúde, moradia, democracia e paz!
O palco da política nessa campanha virou tanque da lavadeira (que me desculpem as lavadeiras) para lavar todo tipo de roupa suja, inclusive a íntima, em público, enfiando goela abaixo do pobre eleitor falsas promessas, mentiras, boatos maldosos e muita fofoca. Um desrespeito total com quem assiste a esse patético jogo do poder.A democracia é um jogo onde todos têm direito a livre expressão, que não quer dizer bagunça, nem que esse direito não deva ser exercido com responsabilidade, muito pelo contrário; quem tem o poder da palavra, o espaço para se manifestar tem que dar o exemplo e para ser respeitado tem que se dar o respeito.
Por mais que contestem vivemos num país livre, democrático e laico que tem mostrado sua cara no mundo. graças ao empenho do governo do Lula, porque se hoje o Brasil é um país soberano e respeitado lá fora, isso não aconteceu por acaso e nem da noite para o dia, mas pelo esforço do nosso presidente em fazer desse país um país melhor, menos desigual, que sabe o que quer e que luta para que o povo brasileiro entre no mundo moderno usando as mesmas mídias que as elites, com os mesmos direitos a educação, emprego, moradia e a participação ativa na sociedade, a mesma que antes era reservada só a escolhidos e bem nascidos.As eleições presidenciais de 2010 vão entrar para a história, por muitos motivos, entre os quais pela volta do ódio, da busca do retrocesso calcado nas alianças mais espúrias com a extrema direita mais reacionária e retrógada. Uma eleição onde se pretendeu avivar a Inquisição, que foi a face mais vergonhosa da nação cristã. Ainda nessa eleição se pretendeu trazer para o centro das discussões, questões religiosas que não podem e não devem decidir questões eleitorais, destruindo com isso a possibilidade de uma discussão sadia e amplamente divulgada; a do aborto como questão de saúde pública e não do modo aparvalhado e covarde que foi. Um jogo ambicioso onde não se mediu as conseqüências de se atirar no adversário sem observar que na reta estava o próprio pé.Há que levar em grande conta nessa eleição de 2010 a maciça participação das mídias independentes, a blogosfera e o twiter que contribuiram de maneira extraordinária para o envolvimento do eleitor, formando uma massa crítica que não se intimida. Com esse cenário de crescimento da participação popular na internet, já podemos afirmar com certeza de que estamos caminhando a passos largos para uma consciência política muito maior; não há meio mais democrático do que a mídia eletrônica, apesar da crueldade que também pode ser destilada por essa mesma mídia.
Vivemos num país onde quem detêm o poder da palavra escrita, radiofusão e televisiva são as grandes fortunas, que não estão acostumadas as serem confrontados, mas que nessa eleição, muito mais que em outras, tiveram que conviver com a mídia independente o tempo todo fazendo contraponto, filmando e mostrando a verdade. É preciso dar cada vez mais voz ao povo para que ele se manifeste livremente e também faça parte do processo democrático: "Todo poder emana do povo e em seu nome será exercido".Essa pequena burguesia que se mantêm no poder da palavra escrita e falada não gosta de povo que pensa e está tendo que engolir a rebelião pensante levantada pela blogosfera. Já não mais se mostra como o grande poder de "informação" e sim como uma imprensa marrom, golpista que se desnuda a cada dia diante até dos eleitores mais simples.Só seremos uma verdadeira democracia quando o povo conseguir participar do processo ativamente, consciente da sua participação, lendo e escrevendo ciente da sua responsabilidade e participação inequívoca sem que lhe seja tolhido o direito de livremente se manifestar e enxergar a verdadeira face do poder, formando uma consciência crítica.Apesar de ser clara a manipulação de uma imprensa facciosa, ainda podemos tirar dessa eleição lições para nunca mais esquecer: Queremos uma país cada vez mais politizado, consciente e não vamos permitir que nos enfiem goela abaixo convicções pré-estabelecidas, mentiras e principalmente exclusão do povo no processo democrático.Não podemos deixar que nos calem, somos a voz dessa nação e não é meia dúzia de pessoas que vai nos dizer o que fazer, ler ou pensar, muito menos impor os "seus modelos de liderança".Queremos um pais de iguais direitos e deveres.Queremos um país soberano e com as riquezas divididas com o povo e não com estrangeiros.Queremos um BraSil para brasileiros cidadãos e não para aproveitadores de plantão!

O.118.O destino de todos - Teca Miranda


Nem penso em morrer
vou deixar acontecer.
Velório não quero,
logo estarei voando
sem urna a me prender.
Minha lembrança ficará
o resto não me importa.
Estarei presente nas ações
deixadas por mim.
Para perpetuar o amor
serei semente no infinito
cantando nos corações
daqueles que ficaram.

O.117.Ocaso do amor em si bemol - Herculano Alencar


Foi-se a última nota musical,
plangente, em dissonante sofrimento:
Um Si bemol, acordes de um lamento,
a sostenir um grande recital!

A partitura enverga-se ao final!
Resta uma só clave em solidão,
no lúgubre sepulcro da canção,
tal qual fora um doente terminal.

Foi-se a última dor de uma paixão:
Um Si bemol, em tom quase divino,
deixando amargo rastro no refrão,

qual mugidos de dor do violino!
Do pinho, um pedaço de ilusão
traz a sonata do amor ao seu destino.

O.116.O velho e o mar - Ernest Hemingway





(logo nas primeiras linhas deste clássico senti vontade de, mais do que lê-lo, resumir a história do humilde velho que pescava sozinho em seu barco. Espero ter conseguido passar a essência de Santiago nas minhas linhas) Lucelena Maia
  Noventa e cinco páginas de uma narrativa direta, com frases curtas e diálogos secos.
  Ernest Hemingway anuncia em O velho e o mar a história de Santiago, um pescador cubano em fim de linha.  Foi escrito em 1952 e lhe rendeu o Prêmio Pulitzer. Em 1954, o Nobel da Literatura.
  Dia após dia, Santiago sai com seu barco e volta de mãos vazias. Um velho humilde, magro e seco, com as mãos cobertas de cicatrizes. A princípio levara em sua companhia para pescar um garoto para auxiliá-lo, mas com o passar do tempo e sem que pescasse peixe algum, porque os pais do garoto acharam que ele se tornara um azarento, puseram o filho Manolin  para trabalhar em outro barco.     Mas, o garoto tinha afeição forte pelo velho pescador e o ajudava a carregar os rolos de linha, o gancho e o arpão quando regressava com a embarcação vazia. Talvez porque o velho ensinara o garoto a pescar e por isso ele o adorava.     Todo final de tarde os dois encontravam-se, carinhosos e confiantes um com o outro, em diálogo de respeito e admiração. Também de ajuda. O garoto arranjava-lhe iscas, comida e café. O velho examinava o garoto com seus olhos queimados pelo sol. O garoto gostaria de tornar a sair com o velho, mas Santiago economizava palavras dizendo-lhe não, que ele agora estava num barco de sorte.     A noite chegava e precisavam descansar para a próxima manhã, quando o velho iria acordá-lo, bem cedo, em sua casa.     O garoto ajudava Santiago a carregar os rolos de linhas, arpão e o gancho para o barco, em seguida tomavam café, depois cada um deslizava sua embarcação para a água, mas não antes de o garoto desejar a Santiago sorte. – Boa sorte, meu velho!  Boa sorte, ele devolvia.     Ainda na escuridão o velho seguia e, à medida que remava, pensava no mar com querer bem.     Nesse dia, o sol levantou-se do mar e o velho Santiago enxergou os outros barcos, lá mais para a terra. Depois o sol começou a tornar-se mais forte, as águas começaram a brilhar mais. Agora os barcos estavam muito longe.     Decidiu aventurar-se mais longe ainda, nas águas da corrente do Golfo.     Entre observar os movimentos das varas penduradas fora do barco, viu uma andorinha-do-mar, com suas enormes asas pretas. Pôs-se a remar lenta em direção ao ponto onde ela estava pairando. Um grande cardume de dourados. Os meus peixes grandes devem estar ai por perto, falou em voz alta. Adquirira o hábito de falar em voz alta quando estava sozinho, mas não sabia dizer desde quando.     A linha da popa deu um esticão e ele largou os remos. Trouxe o peixe para dentro do barco. Albacora, da família dos atuns, de pelo menos três quilos. Esse peixe lhe serviria de refeição.     Já não podia ver o verde da costa. O mar estava muito escuro  e a luz formava prismas na água.     No momento em que examinava as linhas viu uma das varas verdes dobrar-se violentamente.     Começava então uma extraordinária batalha entre o homem e o animal. Que o melhor e o mais corajoso vença, pensou o velho marinheiro, tamanha a força do peixe.     O peixe também é meu amigo – disse ele em voz alta. Nunca vi ou ouvi falar de um peixe desse tamanho. Mas eu tenho de matá-lo.     “Se o garoto estivesse aqui, podia molhar os rolos de linha”, pensou. “Se o garoto estivesse aqui. Sim, se o garoto estivesse aqui”.     O sol estava nascendo pela terceira vez desde que se fizera ao mar quando o peixe começou a  nadar em círculos. Sentia sono, sede, cansaço pelo enorme esforço que fazia. Sentira-se também, por duas vezes, estonteado e fraco.     “Nunca estive assim tão cansado em toda a minha vida”, pensou o velho.     “Trabalhe agora você, meu peixe. Eu trabalho depois”.     O peixe ia no seu terceiro circulo quando o velho o viu aparecer à tona d´água. Quase não podia acreditar no seu comprimento. “Não é possível que tenha esse tamanho todo”.     Santiago estava transpirando muito, mas não era só por causa do sol. Em cada uma das lentas voltas que o peixe dava, o velho ganhava linha e poderia ter a oportunidade de usar o arpão.     Mas nada era fácil, mais uma vez, entre muitas, o peixe tornou a retomar o equilíbrio e afastou-se.     - Peixe! – gritou-lhe o velho – Peixe, de qualquer modo você tem de morrer. Acha que precisa matar-me também?     Pôs toda a sua alma no puxão e na agonia do peixe, que veio para junto do barco. Erguendo o arpão tão alto quanto lhe era possível, cravou-o para baixo com toda força. Conseguiu espetar o peixe de lado. O peixe parecia flutuar no ar, por cima do velho. Em seguida caiu na água.     “Agora preciso preparar os laços e a corda para prendê-lo ao barco, pensou. Tenho de preparar tudo, encostá-lo ao barco, prendê-lo bem, fixar o mastro e tomar a direção para a costa”. As mãos muito machucadas, em carne viva, não o preocupavam. “Curam-se depressa com o sal da água”     Não precisava de uma bússola para lhe indicar o sudoeste. Só precisava sentir os ventos alísios e o enfunar da vela.     A embarcação navegava bastante bem. Bebeu a metade de água que lhe restava e comeu os camarões abrigados em um molho das algas amarelas do golfo que o arpão enganchara. Tentava manter-se lúcido.     Já havia decorrido uma hora quando apareceu o primeiro tubarão. Viera das profundezas porque o sangue do peixe se espalhara pelo mar. “Fora bom demais para durar” pensou o velho. “Não posso impedi-lo de nos atacar, mas talvez possa cravar o arpão na cabeça do tubarão”. Assim ele fez. O tubarão permaneceu imóvel à tona d´água e o velho fixava-o com o olhar. Abocanhou uns quinze quilos de carne. Exclamou Santiago. Mas matei o tubarão que mordeu o meu peixe.     Um homem pode ser destruído, mas nunca derrotado.     Algumas outras vezes vieram os tubarões. Ele matou a todos, mas, a cada nova investida deles perdia as ferramentas que usava para livrar-se daqueles famintos Galanos.  Não tinha ele nenhuma outra palavra que melhor exprimisse os seus sentimentos nesta situação, por isso falava em espanhol.  Ficara sem o arpão, a faca que prendera ao remo, também o remo e muito da carne do peixe.     “Era um peixe que poderia ter alimentado um homem durante todo o inverno”, pensou o velho. Gostaria que tudo isso tivesse sido um sonho. “Já devo estar bastante perto”. “Que pode você fazer agora, se eles atacarem durante a noite? Lute! Lute até morrer. Mas o que é que um homem pode fazer contra eles no escuro e sem armas?”
Vieram todos juntos e o velho só conseguia distinguir as barbatanas na água. Lançava e tornava a lançar o cajado com desespero e depois sentiu alguma coisa agarrar no cajado e levá-lo para o mar. Mas agora os tubarões atacavam o peixe todo da popa à proa. Durante a noite alguns tubarões atacaram a carcaça, mas afastaram-se ao verificar que já não lhes restava nenhuma carne.       “Eu nunca tinha sido derrotado e não sabia como era fácil. E o que me venceu? Nada. Fui longe demais”. Não havia ninguém para ajuda-lo e por isso foi com dificuldade que arrastou o barco para terra, deixando-o a meio da praia, sem conseguir leva-lo mais longe. Foi então que conheceu como era profundo o seu cansaço.     Dormia ainda quando, pela manhã, o garoto espreitou pela porta. O garoto viu que o velho respirava. Saiu para a rua para buscar café. Durante todo o caminho não parou de chorar.     Muitos dos pescadores da aldeia estavam em volta da embarcação do velho. Um deles mediu o esqueleto com um pedaço de linha.     Manolin levou a cafeteira para a cabana de Santiago e sentou-se ao lado da cama, até ele acordar.      - Venceram-me, Manolin – falou a custo. - Venceram-me de verdade.
  - Ele não o venceu. O peixe, não.
  - Não. Você tem razão. Foi depois.     Quando saiu para a rua e a caminho da aldeia, o garoto começou a chorar.     Lá em cima, na cabana, o velho estava dormindo de novo, com o rosto escondido no monte de jornais que lhe servia de almofada.

O.115.Onde estarão as estrelas - Lucelene Maia


...Se eu as sinto no côncavo de meu corpo,
espalhadas
repousando nas pupilas de meus olhos,
mosqueadas
fazendo-me enxergar além das algemas
apertadas.

... Se eu as sinto presentes no céu de minha boca,
esculturadas
temperando com saliva todas as palavras
desajustadas
que teimam sair, de meus indóceis lábios,
amotinadas.

... Se eu as sinto como agasalho à fria pele
acinzentada
aquecendo em mim, muito além da superfície
macerada
dando-me luz para que eu busque as belezas
espalhadas

... Se eu as sinto penetrando em minha alma
fadigada
transformando-a pândega, calma e
aliviada.
Onde estarão as estrelas, se não, dentro de mim,
guardadas?

O.114.O que se pretende preservar? - Lucelena Maia


Analisando com cuidado os relacionamentos, percebe-se que se esfacelam com o tempo.
Na forma figurativa, por exposição exagerada ao sol, porque a madrugada é fria, pelo indiferente lusco-fusco do entardecer. Na verdade e talvez, por serem secundários perante as tantas prioridades que a vida impõe no dia-a-dia e, ainda, recordando a aurora da vida, porque os sonhos eram muitos e as mazelas desconhecidas, a cautela apenas um adereço sem importância.
Quem sabe, se esfacelem pelo excesso de respeito a individualidade de cada um!
DNA é único e intransferível. É prova absoluta de independência do ser humano em relação ao outro, exceto com pai e mãe, o que não os favorece para o bom relacionamento com seu filho, é preciso conviver para fertilizar amor e aguardar que os anos digam do caráter.
A palavra complexidade tem dono; o homem, independente de classe social, raça ou instrução escolar.
Apesar das confusões interiores que permeiam o ser humano, em certo momento da vida tudo fica claro e simples, nem sempre fácil, mas oportuno para reconhecer o que se perdeu por ser rude e o que ainda pode-se reconquistar num relacionamento.
Pessoas despretensiosas têm maior facilidade para enxergar o azul do céu, onde estrelas brilham e a lua se mostra linda e livre, em qualquer fase.
Pessoas despojadas são capazes de opinar sobre uma obra de arte, exporem-se, ao mesmo tempo ouvir com disponibilidade de aprendizado o que diz o crítico.
Pessoa desprevenida facilmente é levada a acreditar naquilo que lhe sopram ao ouvido, mergulhando num mundo imaginário em que reina absoluto o propósito alheio.
Nada a preservar quando a intenção interior é ferir. Esquecidas, impróprias e inúteis tornam-se as palavras respeito e diálogo. No entanto todo ato pode ser revisto, desde que desfeitas as malícias, as intenções duvidosas, desde que as mãos estejam limpas pelas águas cristalinas do coração e nulos sejam os mecanismos de oportunismo.
Tornar-se uma pessoa melhor é observar mais a si do que ao outro, cuidar de revisar os momentos da vida vividos, e ponderar; como tenho alimentado meus sentimentos!
A cada um é dado o direito de expiar os seus atos.
Há tempo de plantar e tempo de colher!

O.113.O roçar do outono - Lucelena Maia


Junto ao vento
na fria manhã outonal
sobre rústico peitoril da janela
cortina esvoaça
num vai e vem sem destino
deixando entrar
folhas secas
a se acomodarem no chão...

O vento, mais uma vez,
ao outono se abraça,
as folhas secas, antes,
sossegadas,
levitam e se vão
rumo ao firmamento,livres de quaisquer anseios,
como bolhas de sabão que encantam os olhos
brindam a estação,depoisjanelas elas adentramindo
acomodarem-se no chão...

O.112.O rio Capibaribe - Lucelena Maia





Sofre o rio
de águas serenas
que inspirou ao poeta ( João Cabral de Melo Neto a Chico Science)
escrever-lhe poemas...

Sofre o homem
consciente do crescimento desordenado;
causador da grande poluição
a este rio histórico, hoje, assoreado...

Sofre o rio,
sofre o homem;
um, sucateado
outro, de braço cruzado

Mas o Capibaribe tem salvação!
Diz o poeta, nos céus, ajoelhado;
que o povo pernambucano, devoto,
numa corrente de braços comece a limpá-lo!

O.111.Olhos que (nada) vêem... - Lucelena Maia


...Nada vêem, mas sabem da lua
Branca como neve, redonda, sua
Em sentinela no céu, à noite, linda,
Reunida com estrelas infindas.

...Nada vêem, mas sabem no rosto
De quem segue à risca destino tosco,
Silenciosa brisa a beijar-lhe a face.
No pensamento, a sombra desfaz-se

...Nada vêem, mas sabem dos pés
Descalços, esfolados, em peregrina fé
Ladeira a baixo, ladeira a cima
Cansados a caminhar pela sina


...Nada vêem, mas sabem das mãos,
Que buscam à volta alguma razão
Para as linhas que lhe cortam a palma
A desvendarem a cegueira d'alma
Que buscam à volta alguma razão
Para as linhas que lhe cortam a palma
A desvendarem a cegueira d'alma

O.110.O mundo que criei está trista - Douglas Farias


Mente minha mente No frio, meu coração esfria
Solidão que me deixa só
Imaginário mundo se cria
Longe como a lua Seco como o outono 
Sombrio como a noite Meu mundo está assim
Vejo que nessa noite
Não há mais estrelas Elas não irão me iluminar
Hoje meu mundo ficou triste
Meço minhas palavras
Elas confundem meu andar
Guardo meu coração
Com ele crio meu mundo